segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Deusa Arian, regente da abundância
Vera Pinheiro

            No dia 8 de setembro, a Espanha celebra Arian, deusa da abundância de bens materiais, da paz e do bem estar, dons que concede a seus fieis, e companheira de Vosegus (às vezes Vosagus ou Vosacius), deus celta da caçada e da previsão. A deusa Arian é a equivalente celta da Isis egípcia, do mesmo modo que Vosegus é o equivalente celta do deus Osíris. Em ambos os casos, os deuses célticos somente nos mostram os aspectos materiais dos deuses egípcios, não os seus aspectos filosóficos e matemáticos, no caso de Arian combinados com as influências dos arianos da Pérsia no muldo celta.
            A relação fonética entre “arianos” e “ariana” é bastante evidente. “La Anjana” celta-espanhola trocou a letra “r” por “n”, mas concede a seus devotos o mesmos atributos ou dons da deusa Arian. A relação dos Arios, modernamente chamados de “Indoeuropeus”, com os celtas não está academicamente documentada, mas é uma evidência percebida quando nos remontamos ao tempo dos Magos da Pérsia, que são anteriores ao Zoroastrismo, e o comparamos com os druidas do povo celta, que eram e são magos.
          E o que tem a ver prosperidade com os atributos dessa deusa? A prosperidade está intimamente ligada à abundância e seus conceitos, interligados, se cruzam.
            Prosperidade (do latim prosperitate) refere-se à qualidade ou estado de próspero, que, por sua vez, significa ditoso, feliz, venturoso, bem-sucedido, afortunado (Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.0, e Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2001.). Também pode designar um período de ascensão econômica e desse modo conectado a uma sociedade otimista que goza de riqueza. Abundância significa grande quantidade, opulência, riqueza, fartura.
            Do que precisamos para nos considerarmos prósperos? Esse é o aspecto intangível da reflexão que a Deusa Arian nos traz. Prosperidade é um conceito baseado no quantum material ou algo medido pela felicidade da alma diante de um desejo realizado? É uma meta de vida? Um propósito individual? A que sacrifícios e riscos  estamos dispostos a nos submeter para alcançar a almejada prosperidade?
            Se considerarmos a quantidade de bens que a mãe Natureza nos oferece, somos ricos, prósperos e felizes em incomensurável dimensão! Mas precisamos de olhos, de coração e de um sentimento de gratidão para ver e reconhecer tantas benesses que a vida nos traz. E vida é a Deusa magnificamente em nós, quando nos percebemos partes da mesma unidade divinal e nos tomamos de extrema gratidão pela generosidade da Divina Mãe. O imaterial, subjetivo, etéreo, é espiritualmente elevado, porém não se pode tocar por não pertencer ao mundo material.
            O aspecto tangível da reflexão que a Deusa Arian nos proporciona é avaliar a nossa relação individual com a prosperidade ou com o avesso dela. Tudo começa em nós, e isso não é uma exceção! Uma pessoa corroída pela culpa não atrai prosperidade, porque se especializa em promover autossabotagem e encontra modos de se punir por meio de dificuldades financeiras e problemas com a própria subsistência. A pessoa não se julga merecedora de uma vida próspera, por isso sempre arruma um jeito de causar danos financeiros, inclusive usando os recursos de que dispõe, por exemplo, dinheiro e crédito que tem, mas usa sem cautela e abusivamente, de modo que se embrenha em problemas financeiros que poderia ter evitado, não fosse a punição que deseja aplicar a si mesma.
            Por culpa, a pessoa julga não merecer aquilo que deseja. Ou seja, deseja, mas não se permite alcançar, travando as suas capacidades de criar e gerenciar uma vida próspera. Isso se reverte quando reexamina aquela determinada circunstância geradora da culpa não para encontrar outro culpado, mas para exercitar o triplo perdão: o que pratica em relação ao caso, a si e a todos os envolvidos, reconhecendo com gratidão o aprendizado que disso pode extrair, ressignificando o acontecimento para inaugurar uma vida realmente nova... e próspera!
            Às mulheres, por séculos, foram impingidas culpas desnecessárias, que se arrastaram por gerações oprimidas e sofredoras, sem direito à plenitude da felicidade, do prazer e da prosperidade. Atravessamos eras em que a gestão da vida material – e da prosperidade – se restringia aos homens e, se tínhamos renda própria, era apenas para “os alfinetes”. Tornamo-nos reféns da cultura patriarcal, que submeteu as mulheres à escravidão moral e intelectual, subservientes ao domínio masculino. E a culpa – do que fosse! – foi reforçada para tirar o natural poder feminino. Até mesmo as características femininas se tornaram motivo de culpa: sensibilidade virou defeito, beleza ganhou ares de futilidade, sexualidade assumiu conotação de pecado. Inteligência, então, demorou a ser vista como atributo feminino, eis que o conceito gravitava em torno dos homens. No máximo diziam que “atrás de um grande homem existe uma grande mulher”. Atrás, claro.
            Graças à incansável luta feminina, ganhamos espaço, voz e decisão, e pudemos voltar a exercitar o nosso poder, abafado por tanto tempo. Não voltamos ao matriarcado, porque também evoluímos com a experiência da opressão. Não queremos os homens contra nós, porque todas as guerras são estúpidas. Mas queremos, isso sim, respeito e o nosso lugar na comunidade mundial, por merecimento e sem culpas. Caminhando juntos em uma nova era, em que a unidade é percebida como valor, porém sem privação à individualidade. Assim, de mãos dadas, encontramos a prosperidade que almejamos. E, enquanto gastamos forças nos digladiando com a nossa consciência, perdemos o foco daquilo que nos realiza, nos alegra, nos faz prósperas materialmente também, por que não? Sem culpa!
            A Deusa Arian traz a abundância da prosperidade para as nossas vidas, mas para que isso se realize é preciso que nos conectemos com a essência do nosso querer. O que queremos? Quanto queremos? Um querer sem culpas! Porque é bom, porque nos fará bem, porque nós merecemos! Precisamos acreditar realmente que o que nós queremos é do nosso merecimento! Abrir as portas da prosperidade a partir do desejo do coração, de um querer com força uterina, intenso, vibrante, forte, espargindo luz, determinação, entusiasmo, vontade e ação. Afinal, não basta querer. É preciso ir em busca do que queremos! A Deusa abre os caminhos, mas não faz a caminhada por nós. Ela nos inspira o fazer, mas fazer depende de nós. Ela nos dá os meios, mas nós temos que agarrá-los em nossas mãos e transformá-los em realidade. Ela mostra as oportunidades, mas quem as desenvolve somos nós. Ela tudo provê em termos de recursos, mas nos dá o livre arbítrio de aceitar, recusar ou deixar que simplesmente os recursos se extingam para abrir chance aos queixumes.
            A prosperidade, assim como a abundância e a riqueza, faz parte da felicidade, mas não é a felicidade em si. Entretanto, ser feliz atrai prosperidade! Observemos: a nossa vida é farta daquilo com que a gente se sintoniza. Se temos afinidade com a alegria, a vida é alegre. Se o amor está em nós, o amor está presente nela. Se somos pessimistas, o mundo é todo negatividade. E assim por diante, basta examinar. Então, antes de nos queixarmos do que temos, do que somos e de como vivemos, vamos avaliar com sinceridade o que atraímos em torno de nós. Somos verdadeiros ímas do nosso querer! Se queremos ouvir a emissora X não podemos sintonizar Y.  Simples assim.
            A lei da atração se manifesta em todos os aspectos de nossas vidas, incluindo a prosperidade, a vida financeira, os relacionamentos amorosos e, igualmente, a energia que emanamos e que nos é devolvida, pelo menos, em igual medida. Ou mais, nunca menos.
            Um querer orientado para a prosperidade não atrairá outra coisa senão prosperidade. E se o nosso querer for sintetizado como “felicidade”, não basta. É preciso dizer à Deusa Arian, que nos visita neste plenilúnio, o que realmente nos faz felizes. Aprendamos a querer de forma clara, objetiva, sem rodeios. E sem culpa, que isso se opõe à prosperidade! Uma vida próspera, com abundância de bens materiais, paz e bem estar é o que Arian nos traz para o nosso crescimento pessoal, para o desenvolvimento humano, para fluir e expandir a consciência física e espiritual. Vamos entrar em sintonia com a Deusa Arian no plenilúnio de setembro e sustentar a conexão com seus dons e atributos, enquanto realizamos a vida com fé, ânimo e coragem, um triskelion de poderosas palavras femininas. Como nós!


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