terça-feira, 9 de novembro de 2010

Minha vida virtual

Vera Pinheiro

Sabes quando a casa está uma bagunça, os armários revirados a ponto de a gente abrir uma fresta da porta e desabar tudo o que tem dentro? Assim está a minha vida virtual! Tudo por falta de tempo, acredita!

Acho que posso me explicar. Por muito tempo vivi mais a vida virtual do que a real. Passeava mais dentro do computador do que fora de casa. Encontrava pessoas por e-mail e bem menos de pertinho. Mudei isso e comecei a me divertir muito! Só para dar um exemplo: fui ao cinema duas vezes na semana, saí com amigas, etecétera e tal, que ninguém precisa saber dos detalhes... nem há interesse, claro.

Com isso, minha caixa de e-mails está lotaaada desde quando não sei! Não recebe mais nada! Preciso dar um jeito nela em qualquer hora vaga dessas. Meu novo blog, que devia começar no domingo, ficou para hoje. Estive ocupada durante todo o dia, não pude. E assim a semana já está quase no meio e ainda não postei, o que faço agora.

Mas queres saber? No máximo posso dizer “sinto muito”. Aqui é muuuuito bom, mas fora do computador há vida inteligente também! Oba! E nada substitui um abraço de verdade, um beijo bom, uma conversa com olhos nos olhos. Beijos e abraços virtuais precisam de imaginação. Estou querendo proximidade!

Aos poucos, porém, vou retomar os assuntos da blogosfera. Sem pressa, porque se há coisa que aprendi nos últimos meses foi a não correr. Andar a passos, apreciando a vida. Porque ela, a vida, como tudo, passa!

sábado, 6 de novembro de 2010

Olhar sem ver (*)

Vera Pinheiro

            Minha filha Camila e eu almoçávamos na Praça de Alimentação de um shopping de Brasília e já tínhamos acabado a refeição quando uma moça uniformizada se aproximou e pediu licença para retirar os pratos. Disse-lhe que sim e agradeci, e antes que recolhesse o que havia sobre a mesa, Camila exclamou: “Que bonita a tua maquiagem!”. A moça se surpreendeu, mas logo sorriu de toda a boca, agradeceu e se retirou com a pilha. “Que bonito o teu gesto, filha!”, elogiei, segura da sinceridade dela e de que o agrado fora bem recebido. “E quem repara nessas pessoas que estão trabalhando aqui, mãe? Para a maioria, elas são invisíveis”. “A menos que cometam algum erro”, emendei.

            Realmente é assim que acontece. As pessoas cruzam umas com as outras e não se veem, não reparam em quem está ao lado ou à frente, quem atende em uma loja, serve um café ou bota uma bebida no balcão de um bar. Falam com quem presta um serviço como se estivessem diante de um caixa eletrônico, com a diferença de que para uma operação bancária a máquina precisa de senha, o que corresponde a um cumprimento humano. Dizer “Bom dia”, “Boa tarde”, Boa noite” não rasga a garganta de ninguém e é sinal de bons modos, que não se deve ser prerrogativa apenas dos superiores hierárquicos, mas de todos, independente da condição e posição social.

            Há quem seja educado apenas em determinadas circunstâncias e com aqueles em quem quer causar boa impressão. No mais é de uma impolidez vergonhosa! Garçons são as vítimas favoritas de quem mostra grosseria como cartão de visita. Cenas grotescas acabam com as potencialidades de um encontro agradável e fazem morrer os assuntos ali mesmo. Afinal, não dá para conversar com quem usa as regras da boa educação de modo seletivo, não como atitude incorporada ao trato com os outros.

            É bem verdade que, às vezes, temos razão para nos sentirmos insatisfeitos com o atendimento, mas isso não justifica qualquer indelicadeza. O pedido veio errado? O produto está com problema? Não gostaste de alguma coisa? Explica direitinho e pede uma solução. Não é preciso dar escândalo, xingar, aparecer, em suma, em cima de uma situação causada por alguém, o que pode não ter sido intencional, absolutamente. Por que a bobagem de tentar mostrar um poder que não existe? Não te iludas! Não te verão, por fazeres isso, como um “poderoso”, mas como um estúpido, e essa imagem cola mais do que chiclete mascado nos cabelos.

            Olhar as pessoas é descobrir – e respeitar – o mundo que há nelas. Não importa quem seja o teu interlocutor, olha nos olhos, fala com a percepção de que, diante de ti, está um ser humano. Lamentavelmente, as pessoas se falam como se estivessem se dirigindo a uma parede e a resposta é de igual padrão: olham sem ver. E não é somente na rua! Dentro da mesma casa, pais e filhos não dialogam, aliás, mal se encontram, pois quando um sai, o outro dorme, quando um está dormindo, o outro chega, e no meio da família tem a atenção e o tempo dedicados ao computador, à internet, à televisão e ao celular, sem contar estudo e trabalho.

            Homens e mulheres se olham, mas não se veem também, e a insensibilidade grassa nas relações. Muito pior do que reclamar que o marido não viu que a esposa cortou os cabelos, é não conhecer a fundo aquele com quem divide cama e mesa, e com quem pensava compartilhar dias, vida e futuro. Existem casais que sequer se falam, mas vivem sob o mesmo teto de ausência. Não se separam, mas não estão juntos. Coabitam a infelicidade conjugal até que a morte os separe ou que um se encoraje a tomar uma decisão a favor de ambos.

            Nas empresas, órgãos, entidades e instituições, os colegas se conhecem? Com as exceções que confirmam essa realidade, não. Passam o dia inteiro em uma sala comum, mas jamais se visitam. Tampouco sabem como os outros vivem, se são felizes e o que querem para o seu amanhã. Recomendam que seja assim para não haver mistura entre o que é estritamente profissional e o que se circunscreve ao âmbito pessoal, mas trabalhar em um ambiente que oscila entre a indiferença e a hostilidade é extremamente funesto, além de estressante. Vestindo a armadura dos insensíveis, sobrevive-se a isso, olhando tudo e todos sem os ver.

(*) Crônica publicada na edição de 6 e 7 de novembro de 2010 do jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Não inventa moda, guria!

Vera Pinheiro

Quando eu era uma guriazinha e morava com minha mãe, ela costumava repreender meus arroubos exacerbados de criatividade, dizendo: “Não inventa moda, guria!”. Ou seja, puxava o freio de mão para que eu não andasse em alta velocidade nos meus quereres. Não adiantou muito. 

Hoje, literalmente, invento moda, inclusive a de viver do meu jeito, tudo do modo como dizem ser: a minha cara! E para falar não exatamente de moda, mas de comportamento em relação a roupas e acessórios, criei a “Vitrina de rua”, o blog (http://vitrinaderua.blogspot.com/). Estou adorando tudo isso! Costumo falar com as pessoas, dizer que gosto do que elas vestem ou usam, e algumas se espantam. O que mudou é que antes eu apenas elogiava, agora peço licença para publicar uma foto.

E por que não dizer? E por que não mostrar? Afinal, a gente se arruma, primeiro, para se sentir bela e feliz; depois, para se exibir aos outros. É ótimo quando alguém nota e elogia.

E eu continuo inventando moda e reinventando a vida!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mais um blog!!!!

Vera Pinheiro

No próximo domingo inauguro mais um blog!
É o "Vitrina de Rua" (http://vitrinaderua.blogspot.com), com uma proposta de mostrar estilos e personalidades por meio de roupas e acessórios usados nas ruas, onde eu estiver com a câmera fotográfica em mão.
Fiquem de olho nas imagens que o meu olho mágico vai capturar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Amor engorda

Vera Pinheiro

Andando pelo shopping (incrível como o ser humano muda!), encontrei amiga minha a quem não via há apenas um mês e meio, se tanto. Quase não a reconheci, tão magra estava. Invejavelmente magra, acrescente-se. Magra e linda! Magra e saudável! Magra e feliz da vida! Também, pudera, quem não fica feliz com cinco quilos a menos, justamente aquele sobrepeso que academia não resolve nem jejum dá jeito? Pois ela me deu a receita.

-         Foi uma desilusão amorosa, amiga!
-         Como é que é?, perguntei, curiosa para saber dos quilos a menos e do namoro desfeito, uma combinação perfeita.
-         Larguei aquele &*@#$&*@+* e emagreci deste jeito, o que prova que amor engorda!
-         Engorda mesmo! A gente come demais e errado para compensar os desencantos da relação e quando percebe está do tamanho de um caminhão cargueiro! Mas, me conta, estás bem de saúde?
-         Estou ótima, cada vez melhor! Foi abandonar aquele cretino que mudei totalmente a alimentação. Agora realmente tenho cuidado com o que boto na boca! Literalmente!
-         Entendo, entendo. Fizeste muito bem, estás maravilhosa! Foi difícil?
-         Muito menos difícil do que eu pensava.
-         Jura?
-         Sim. Foi fácil como jamais supus que fosse! Ainda que a decisão de terminar o namoro tivesse sido minha, perdi a fome nas duas primeiras semanas. Comia bem pouquinho.
-         Comigo desilusão amorosa não funciona para emagrecer. Não perco nem o sono, tanto menos o apetite!
-         Dei um pontapé na bunda dele e entrei num período de luto por 15 dias. Uma espécie de viuvez voluntária... e curta! Aí, quando vi que tinha emagrecido, me animei e mudei completamente a alimentação! Foi um sucesso! Em vez de lanchar um salgado, como uma fruta, troquei as bobagens por algo saudável, diminuí os carboidratos e aumentei o consumo de verduras e legumes. E malho, claro.
-         Maravilha! Estou admirada da tua determinação!
-         E assim tem de ser, amiga. Olhei para o espelho, vi o quanto sou bela e o quanto fico melhor quando me amo, me cuido e faço o melhor por mim, tirando da minha vida quem ou o quê me prejudica ou põe pra baixo!
-         É isso mesmo! Parabéns!
-         Não tem coisa melhor do que autoestima!
-         Não tem mesmo!
-         Olhar-se com carinho, fazer as melhores escolhas por si mesma e não se contentar com relacionamentos insatisfatórios exige uma tomada de decisão, mas, quando a gente faz, renova as forças e o amor próprio.
-         Nada como uma desilusão amorosa para ensinar isso.
-         É. Há muitos caminhos para o aprendizado!

Essa amiga minha está numa grande fase. Que bom. Libertou-se de um fardo e livrou-se de quilos de dissabores. Lá vai ela, linda, poderosa e carregada de sacolas com roupinhas PP, 38 etc e tal... Essa é a parte mais divertida da história em que a alegria de viver faz o final feliz.

Acho que eu preciso de uma desilusão de amor urgente para perder uns quilinhos... O problema é que, para isso, eu precisaria – antes – ter uma ilusão de amor. Não é o caso, mas não lamento. Vou comer fazendo boquinha de peixe e malhar pesado.